domingo, 27 de março de 2011

Óia soh... Abastecer ou não abastecer? Eis a questão...

Nos últimos dias, tenho acompanhado aqui na região a alta crescente (e absurda!) do preço dos combustíveis. O etanol já passou a barreira estratosférica dos R$ 2,00 (tem posto vendendo o combustível ao preço de R$ 2,25 - êpa!).


De acordo com dados da Associação de Produtores de Bioenergia do Estado do Paraná (Alcopar), a região concentra grande parte das usinas e destilarias de álcool e açúcar do estado (são cerca de 80). Sabemos que a cana-de-açúcar enfrenta períodos de "entre safra", o que ocasiona aumento no preço dos produtos feitos à partir dela justamente com a intenção de reduzir o consumo até o início da safra. Também sabemos que as usinas e destilarias dispõe de estoques (diga-se, de quantidade generosamente grande) para manter o mercado abastecido nesses períodos de "entre safra". Outra coisa que sabemos é que, se o preço pago no mercado internacional pelo açucar produzido no Brasil for alto, as usinas irão priorizar a produção de açúcar em detrimento ao álcool combustível. 
Fonte: Alcopar

Mas nada justificaria aumentos de preços que ocorrem praticamente toda semana (cerca de R$ 0,10 por cada reajuste no preço). Se existir um feriado prolongado na semana, a coisa piora! Vamos preparando os bolsos para o feriadão da Semanda Santa no mês de Abril.

Gostaria de transcrever um comentário publicado por Rodrigo Parra, editor do jornal "O Diário" que me fez pensar toda essa situação de forma totalmente diferente e inesperada:

"Tiro sai pela culatra
A alta no preço dos combustíveis é como um tiro que sai pela culatra. Não do dono do posto ou da destilaria de álcool. Mas do consumidor, que prefere sofrer para comprar e manter um veículo, a lutar por um transporte coletivo de qualidade. Sim, é isso mesmo. Todos que hoje reclamam dos preços do álcool e da gasolina colaboram com o sistema alimentando o seu ego a cada abastecida no posto. A dúvida cruel em abastecer com álcool ou gasolina poderia ser substituída pela discussão em ter ou não ter um carro. Mas pouca gente pensa nisso. Afinal de contas, todo o sistema econômico gira em torno do transporte individual. toda criança que se preza sonha com um carrão, uma "motona". Não um ônibus. Explica-se isso de forma fácil. De ônibus, possivelmente ele chegaria atrasado, a camisa branca ganharia o tom de poeira... Já de carro, chega no horário e ainda faz média com os amigos, esteja caro ou barato o combustível. Lutar por transporte público de qualidade é pedir demais. Bom mesmo é reclamar do preço do combustível e continuar abastecendo".

Pra piorar, acabo de ler uma reportagem que diz que o preço do álcool bateu hoje a casa dos R$ 2,39. Oh my God!

O jeito vai ser começar a pensar em deixar o carro em casa e usar o "busão" ou a bicicleta.
Óia soh minha gente... pelo sim ou pelo não, os donos de postos de combustível, distribuidoras e usinas de álcool devem erguer as mãos para o céu e agradecer a Deus por não vivermos no Egito ou na Líbia. Se cá fosse como lá as coisas seria bem diferentes...


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