Duas coisas me incentivaram a escrever este post: a primeira delas, uma reportagem publicada pela revista Você S/A que apresenta a trajetória de profissionais (que por sinal são muito jovens) que conseguiram chegar ao cargo de presidência em empresas antes dos 40 anos de idade. A segunda, uma palestra que assisti de um empresário (que por sinal é um senhor com cerca de 50 anos de idade ou mais) tratando da "falta de credibilidade" dos jovens (na verdade, durante a palestra ele deixa transparecer que os jovens não tem competência nem credibilidade para trabalhar em qualquer que seja a ocupação, quem dirá em cargos de chefia, diretoria e presidência - oh my God!).

A revista Você S/A apresenta uma reportagem bastante interessante contando que de uns tempos para cá aumentou o número de presidentes de empresa (leia-se "cargo máximo" na hierarquia corporativa, vulgo CEO - sigla em inglês para designar o executivo principal da organização) com menos de 40 anos de idade. A própria reportagem menciona que, quando falamos de "presidente" logo temos a imagem de um profissional experiente (para não dizer idoso) com os cabelos já grisalhos (é, idoso mesmo!). Vale lembrar que ninguém se torna presidente de uma empresa por acaso. É necessário além da competência técnica para lidar com o negócio, competência gerencial para tratar do planejamento e desenvolvimento de toda a estrutura da empresa e, principalmente lidar com pressões vindas de dentro e fora da empresa (por exemplo, funcionários e fornecedores). Tarefa nada fácil, diga-se de passagem.
Na sua palestra, o "senhor empresário" (vou me referir a ele assim, ok?) trata da confusa e turbulenta realidade na qual os jovens de hoje estão inseridos. Segundo ele, a juventude hoje não sabe exatamente o que quer e, assim, não consegue transmitir a credibilidade e segurança que uma pessoa mais experiente (de mais idade) consegue. Talvez isso seja verdade. Se olharmos por esse lado, os jovens são cada vez mais impulsivos e impacientes. Querem tudo muito rápido sem pensar, as vezes, nas consequências de seus atos. Sem contar a superficialidade (existe essa palavra?) das suas ações. Os relacionamentos se dão também de forma muito precária, geralmente através da internet com uso das redes sociais (óia o Orkut e o Facebook. Ah, tem o MSN Messenger também!).
Bom, mas aonde quero chegar com todo esse papo?
Creio que é bastante complicado ser jovem nos dias de hoje. Nem sempre é dado o devido valor para as suas ações e iniciativas. É necessário (e importante!) reconhecer que a "safra" de profissionais da geração Y está aí, atuando e se consolidando no mercado de trabalho. Isso não é fato, é realidade! Por outro lado, o ser humano luta para manter a vida por mais tempo, conseguindo hoje chegar aos 80, 90, 100 anos de idade (facílimo!). Assim, as pessoas vivem mais e se mantém ativas no mercado de trabalho por mais tempo - a aposentadoria (leia-se afastamento do trabalho) é adiada e as pessoas continuam trabalhando mesmo depois de atingirem a idade regulamentar para se aposentarem. Veja o caso do apresentador Silvio Santos que aos 80 anos de idade continua apresentando e animando os telespectadores do canal SBT. Devemos olhar para ele não para o que ele é hoje mas toda a trajetória percorrida por ele na construção do seu negócio (se bem que nos últimos tempos andaram aprontando com ele e quase acabaram com o seu "império").
Diz um ditado oriental que: "quando um corvo canta ou um idoso fala, é sinal de algo importante e que precisa ser ouvido atentamente". Sim, é importante reconhecermos e darmos valor para as pessoas mais experientes do que nós. Mas também é igualmente importante ouvir o que os mais jovens tem a dizer, entender seus anseios e esclarecer as suas dúvidas. Saber que a contrubuição da juventude associada à experiência dos mais velhos pode render bons frutos, apesar dos contrastes.

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